individualidade a dois!





15.3.15



O sentimento de posse, subjacente ao relacionamento amoroso, e a disputa pelo poder que a partir daí se trava entre os membros do casal, constitui um sério entrave à felicidade conjugal. Por vezes, comete-se um grave equívoco quando se interpreta como uma relação bem-sucedida aquela na qual os cônjuges fazem tudo juntos, em que as expectativas, os prazeres, as amizades e o espaço de um sejam necessariamente os mesmos do outro.





Uma relação madura e adulta é, pelo contrário, a que permite a cada um o espaço para crescer e desenvolver-se na direção das suas potencialidades. É aquela na qual se concede a cada parte o direito de ter - e viver - a sua própria vida, sem prejuízo da vida em comum.


O âmago da questão aqui é que, como regra, um dos cônjuges apenas se anula e passa a viver a vida do outro. Esse é um tipo de arranjo que, evidentemente, não será duradouro e, se for duradouro, certamente não será satisfatório.


A guerra pelo poder que se instala na esfera conjugal – e dificilmente haverá casal que consiga libertar-se dela por inteiro – nada mais é que os reflexos da disputa pelo poder nas relações entre homens e mulheres, mesmo que não casados, e nas relações humanas em geral.


O poder “cria a ilusão de que se é alguém” e a sua necessidade, embora comum a todos nós, é tanto maior quanto mais fraca for internamente a pessoa.


O respeito pela individualidade de cada cônjuge encerra um aspeto eminentemente prático, mas de grande significado simbólico: a questão do espaço físico na casa. As questões de ordem prática do espaço físico e, os conflitos que geram, encerra e relacionam-se com a necessária defesa da necessidade de ter o “nosso espaço psicológico.


A necessidade de ter o “nosso lugar” e estabelecer o limite para “invasão do outro no nosso interior”. A perceção do desconforto que a excessiva, e constante proximidade física, gera tem levado inúmeros casais, a promover a necessidade de algum grau de separação física, mantendo intactos, no entanto, os laços conjugais. A separação individual evidencia uma relação sadia, na qual se preserva a privacidade sem comprometer a intimidade e a força da relação, contudo é necessário que haja uma forma psicológica e emocional madura de se colocar na vida. Todo o esforço deve ser feito no sentido de respeitar o desejo de privacidade de cada um, mesmo num espaço físico restrito.