Ataques de Pânico!





27.1.19



Imagine-se a situação de um soldado em pleno campo de batalha no Afeganistão, entrincheirado sob o fogo inimigo, onde só existe a perspetiva real e possível da morte próxima. Tão grande é o estado de tensão do organismo, tão intensa é a descarga de adrenalina no sistema nervoso que em nada seria de surpreender se, no limite, o coração desse soldado disparasse, ele passasse a ter suores frios em abundância, falta de ar e sufocação e, por exemplo, tivesse a nítida impressão de estar a morrer – ou a enlouquecer – o que seria compreensível.


Imagine-se agora exatamente a mesma situação, do ponto de vista de reação do organismo, mas com alguém que está tranquilamente a caminho do trabalho, a voltar para casa ou, a sair para passear com a família.


Na primeira situação descrita é compreensível a reação do organismo - face às circunstâncias do perigo real que envolve um cenário de guerra.


Na segunda, e embora a população em geral sofra, ou tenha sofrido, em algum período da vida uma situação/acontecimento mais complicado, não seria por si só motivo para se desenvolver a mesma sintomatologia (perturbação de pânico).





Um primeiro ataque ocorre comumente numa qualquer situação “banal” e inesperada, por exemplo podem ocorrer inclusive durante o sono, fazendo com que se acorde com uma intensa sensação de angústia.

De repente, e sem causa aparente, a pessoa é invadida por uma sensação clara e aterrorizante de morte iminente, ou de que vai enlouquecer, perdendo totalmente o controlo sobre si mesmo.


A sensação acompanha-se de um grupo de sintomas físicos semelhantes aos que descrevemos no caso do soldado, acrescidos de tontura e/ou tremores, pressão no peito, vontade urgente de urinar e até mesmo diarreia. Dura, em média de 10 a 15 minutos, não muito mais que isso, e durante esse tempo a pessoa vive um intenso sofrimento – um verdadeiro inferno.


O sofrimento, o medo, a sensação de ter um ataque cardíaco e de estar prestes a desmaiar ou morrer são tão intensos – e reais - para a pessoa, que se instala uma necessidade premente de procurar ajuda ou, pedir socorro. Como o ataque dura poucos minutos o habitual é que, ao chegar às Urgências, tudo já tenha passado e o médico nada encontre de anormal. As crises tendem a repetir-se periodicamente.


A situação pode tornar-se grave ao ponto de inviabilizar a vida social e/ ou profissional da pessoa, mesmo fora das crises pois o medo de passar de novo pelo sofrimento é tanto que o individuo passa a sofrer por antecipação e, assim, não tem sossego – começa-se a ter medo “de ter medo” entrando num ciclo vicioso de tentar evitar o desencadeamento do medo.


Muitas vezes uma das grandes dificuldades no tratamento do transtorno de pânico reside no próprio paciente: o sofrimento é tão real para ele que lhe custa aceitar que nada existe de fisicamente grave a ameaçar-lhe a vida.


A perturbação de pânico, ocorre quando se acredita que os ataques de pânico, ou as sensações de pânico, vão levar a alguma forma de perda de controlo ou, ter consequências físicas ou mentais. ​



Os ataques de pânico são uma experiência de ansiedade extrema. Podem ser bastante assustadores, aparecer do nada ou, ser instigados por acontecimentos de stress (atuais ou passados).





Durante um ataque de pânico, sente-se uma descarga súbita de medo ou de angústia intensa acompanhada por alguns sintomas, de que são exemplo, ritmo cardíaco acelerado ou palpitações, dores no peito, suores, tremores, ataques de frio ou calor.


Estes ataques podem ocorrer com diferentes tipos de transtornos de ansiedade. Por exemplo, alguém que sofre de ansiedade, com uma preocupação que ganhe caracter de maior permanência, é suscetível de ter um ataque de pânico.


Exemplos práticos suscetíveis de desencadear um ataque de pânico são, no caso de sofrer de ansiedade social - em que o ataque de pânico pode dar-se num contexto social - uma festa ou uma reunião da empresa em que trabalha, face ao caráter assustador que o evento representa para a pessoa. Outro exemplo, quando se tem fobia de alturas, é ir ver o apartamento que se quer comprar, que fica num último piso de um prédio!


É importante sublinhar que todos nós estamos sujeitos a sentir pânico, ou stress, pontualmente, quando nos encontramos em situações que de alguma forma afetam o nosso sistema nervoso, quer seja por exemplo ir a uma entrevista de trabalho ou ir fazer um exame, qualquer situação que nos amedronte ou assuste. Estas situações não são o mesmo que ter um ataque de pânico de grande intensidade.